Apoio à Criação’26: a Fundação “la Caixa” quer financiar a tua próxima obra
Candidaturas abertas até 20 de maio de 2026
Tens um projeto de obra de arte visual que precisa de apoio para ganhar vida? O programa Apoio à Criação’26. Produção, da Fundação “la Caixa”, foi feito para isso: financiar artistas visuais (individuais ou em grupo) que precisem de recursos reais para produzir uma obra inédita — e assegurar que essa obra chega ao público.
Atenção: o prazo fecha já a 20 de maio de 2026. Vale a pena ler com atenção.
O que é o Apoio à Criação’26. Produção?
É um concurso bienal da Fundação “la Caixa” — uma das maiores fundações privadas da Europa — que apoia artistas visuais de Portugal e Espanha a desenvolver e produzir obras de arte com continuidade. O programa existe desde 2018 e as obras selecionadas podem ainda ser adquiridas para integrar a Coleção de Arte Contemporânea da Fundação, que tem quase quarenta anos de história.
O apoio é duplo: financeiro (honorários + custos de produção) e profissional (acompanhamento especializado ao longo de todo o processo).
Quem pode candidatar-se?
O programa destina-se a artistas visuais individuais ou grupos de artistas que cumpram as seguintes condições:
- Ser pessoa singular com mais de 18 anos
- Ter nacionalidade portuguesa ou espanhola, ou residência em Portugal ou Espanha
- Ter exposto o trabalho anterior em pelo menos 3 ocasiões (individuais ou coletivas)
- No caso de grupos: basta que um dos membros cumpra os requisitos de exposição e nacionalidade/residência
Não podem candidatar-se pessoas coletivas, empresas ou instituições. E se já tens um acordo de colaboração em vigor com a Fundação “la Caixa” noutro concurso, terás de aguardar.
O que é apoiado financeiramente?
A dotação financeira cobre duas componentes:
| Componente | O que inclui |
|---|---|
| Honorários | Remuneração do artista pelo trabalho de criação |
| Produção | Todos os custos diretamente ligados à produção da obra |
Os montantes exatos são definidos pela Fundação consoante cada proposta — não há um valor fixo máximo publicitado, o que significa que a qualidade e detalhe do orçamento apresentado é determinante.
Um detalhe importante: os artistas selecionados para a primeira fase (até 15 projetos) recebem já 1.000€ (ou 2.000€ para grupos) para desenvolver a proposta de produção da segunda fase. Esse valor não é um prémio — é um pagamento pelas horas dedicadas ao processo.
Como funciona o processo de seleção?
O concurso tem duas fases:
1ª fase — Pré-projeto (até 15 finalistas)
Apresentas uma candidatura com:
- Proposta e calendário do projeto
- Estimativa orçamental (honorários + produção, discriminados)
- Currículo (máximo 2.500 caracteres, incluindo espaços)
- Carta de compromisso de um agente externo (galeria, museu, festival, plataforma digital, etc.) que garanta a exposição ou divulgação da obra
O júri avalia os projetos por esta ordem de importância:
- Qualidade do projeto e adequação do orçamento
- Trajetória profissional do artista
- Solidez do compromisso do agente externo
⚠️ Atenção: cartas de apoio sem compromisso concreto são automaticamente rejeitadas. O agente tem de se comprometer a expor ou divulgar a obra — não basta dizer que acha o projeto interessante.
2ª fase — Proposta de produção e apresentação oral
Os finalistas têm até 1 mês para desenvolver a proposta de produção completa, que inclui:
- Descrição conceptual detalhada
- Proposta de execução com calendário exaustivo
- Orçamento detalhado com todos os impostos incluídos
- Estimativa do preço de mercado da obra
Depois há uma apresentação oral perante o júri — presencial ou por videoconferência. Se a reunião for presencial, a Fundação cobre as despesas de deslocação e alojamento para quem residir fora de Barcelona.
Após esta fase, o júri seleciona os projetos que avançam para produção. Os resultados finais serão publicados em outubro de 2026.
Que tipo de agente externo precisas?
Este é um dos pontos mais críticos da candidatura. O programa exige que apresentes uma carta de compromisso de um agente, organização ou entidade — nacional ou internacional, sem fins lucrativos — que garanta a visibilidade da obra.
Pode ser:
- Uma galeria ou espaço expositivo com exposição programada
- Um museu ou centro de arte
- Um festival ou evento cultural
- Uma plataforma digital com compromisso de divulgação
- Um comissário, desde que faça parte de uma proposta concreta
O que não vale: cartas de recomendação ou de apoio genérico. Tem de haver um compromisso real.
O que acontece depois da produção?
Quando a obra estiver concluída, a Comissão de Compras da Fundação “la Caixa” avalia a possibilidade de a adquirir para a Coleção de Arte Contemporânea. O artista apresenta um dossier de compra com o preço atualizado, e a Fundação tem direito de preferência durante o período de avaliação.
Caso a Fundação não adquira a obra, o artista fica livre para a vender — desde que respeite as condições do acordo de colaboração.
O que precisas de preparar para candidatares?
Aqui está uma lista prática do que tens de ter pronto:
- Registo na Plataforma dos Concursos (acreditação prévia obrigatória em convocatorias.fundacionlacaixa.org)
- Documento de identidade digitalizado (Cartão de Cidadão, para portugueses)
- Currículo artístico (máximo 2.500 caracteres com espaços) com local/ano de nascimento, formação, atividade profissional, prémios, obras, exposições
- Descrição do projeto em PDF (máximo 6.000 caracteres com espaços) em português, espanhol, catalão ou inglês
- Estimativa orçamental com honorários e custos de produção discriminados
- Carta de compromisso do agente externo, assinada, em português, espanhol, catalão ou inglês
- (Opcional) Links, vídeos ou ficheiros de áudio que complementem o projeto
⚠️ A candidatura é gratuita, mas tens de completar primeiro a acreditação. Não é preciso ter a confirmação de acreditação para submeter — mas o projeto só é avaliado depois de a acreditação estar concluída.
Datas a não perder
| Data | O quê |
|---|---|
| 20 de maio de 2026 (17h CET) | Prazo final para candidaturas |
| Após a 1ª fase | Até 1 mês para desenvolver proposta de produção |
| Outubro de 2026 | Publicação dos resultados finais |
| Até 2 anos após o acordo | Prazo máximo para produzir a obra |
Vale a pena candidatares-te?
Se tens um projeto de obra de arte visual que ainda não foi exposto ou publicado, um agente disposto a comprometer-se com a sua divulgação, e pelo menos três exposições no currículo — sim, vale muito a pena.
O programa oferece mais do que dinheiro: oferece acompanhamento especializado, acesso ao júri, a uma rede de contactos e, potencialmente, a entrada na Coleção de Arte Contemporânea da Fundação “la Caixa”. Para um artista em fase de afirmação, é uma oportunidade rara.
O único senão: o prazo é muito curto. Se ainda não começaste a preparar a candidatura, tens de te mexer agora.
Precisas de ajuda para preparar a candidatura?
Se tens dúvidas sobre se o teu projeto é elegível, como estruturar o orçamento, ou como abordar o agente externo, fala comigo — posso ajudar-te a perceber o que faz sentido e a preparar uma candidatura mais sólida.
Mais informações e candidaturas em convocatorias.fundacionlacaixa.org
Artigo publicado com base no Regulamento oficial do concurso Apoio à Criação’26. Produção, da Fundação “la Caixa”. Em caso de dúvida, consulta sempre o documento oficial disponível no website da Fundação.
