Trazer membros para a mesa

É amplamente reconhecido que Portugal não é um país muito dado à filantropia. Em parte, isso pode ser atribuído à escassez relativa de riqueza, com poucas famílias verdadeiramente abastadas. Contudo, o principal motivo parece ser a ausência de vantagens sociais significativas para aqueles que optam por se tornar patronos ou se envolverem com instituições culturais.

Essa falta de envolvimento vai além do simples patrocínio ou mecenato. É relativamente comum encontrar personalidades locais, com reputação ou estatuto social, associadas a organizações de bombeiros, instituições de solidariedade social, entre outras. Muitas vezes, essas pessoas ocupam cargos nos corpos sociais ou até mesmo atuam como presidentes dessas instituições. No entanto, essa participação é menos frequente nas associações culturais, que são geralmente criadas e geridas pelos próprios artistas ou por indivíduos interessados em desenvolver atividades culturais, seja de forma amadora ou profissional.

As razões para essa falta de envolvimento são diversas e complexas. A desvalorização da cultura a nível político e educativo contribui significativamente para que as instituições culturais não sejam vistas como suficientemente “atrativas” pelas personalidades locais. Esse distanciamento torna mais difícil para as associações culturais atrair apoios de potenciais mecenas ou empresas, assim como obter relevância política junto das Juntas de Freguesia ou Câmaras Municipais.

Ter personalidades com notoriedade e estatuto social envolvidas nas associações culturais pode fazer uma diferença substancial. Quando figuras respeitadas e conhecidas se associam a uma instituição cultural, elas não só trazem prestígio, mas também podem atrair apoios e investimentos dos seus amigos e conhecidos. Este efeito de rede pode ser extremamente benéfico, proporcionando às associações culturais os recursos necessários para crescer e prosperar.

Além disso, a presença de tais personalidades ajuda a dar visibilidade às associações nos meios de comunicação. A cobertura mediática tende a ser maior quando figuras de destaque estão envolvidas, o que consequentemente atrai mais público e potenciais patrocinadores. Este aumento de visibilidade pode traduzir-se em maiores bilheteiras, mais inscrições em eventos e workshops, e um interesse geral mais elevado nas atividades promovidas pela associação.

Para que essas personalidades se envolvam, no entanto, é crucial que as associações culturais apresentem uma missão e visão apelativas. A clareza e a atractividade da missão podem despertar o interesse e o entusiasmo dessas figuras influentes. Além disso, é essencial demonstrar que o projeto pode ser financeiramente viável. Personalidades com estatuto social tendem a investir em iniciativas que não apenas têm potencial de impacto cultural, mas que também mostram capacidade de sustentabilidade a longo prazo.

Quando verdadeiramente envolvidas na direção de uma instituição cultural, essas personalidades são uma mais-valia em várias frentes:

  • Elas contribuem significativamente para o desenvolvimento, aprovação e monitorização da implementação de planos estratégicos, garantindo que a instituição segue um caminho bem definido e sustentável.
  • Procuram compreender as necessidades financeiras e contribuem para que a instituição tenha a capacidade de aprovar orçamentos adequados e cruciais para a sua atividade.
  • Podem influenciar positivamente na contratação, compensação e motivação dos membros do staff e da equipa artística, assegurando que os melhores talentos são atraídos e mantidos.
  • Participam na procura de novas fontes de rendimento pode abrir portas a oportunidades inovadoras de financiamento, diversificando as receitas da instituição.
  • E, finalmente, ao servirem como embaixadores da instituição, elas elevam o perfil da organização, promovendo suas atividades e causas, tanto em eventos públicos como nas suas redes sociais.

Isso não significa que as instituições culturais devem imediatamente procurar um associado ou presidente rico e influente, sem considerar o seu perfil. Pelo contrário, é crucial que avaliem cuidadosamente a estratégia mais adequada para valorizar a sua missão e atividades, identificando as pessoas que possam contribuir de forma mais eficaz e alinhada com os seus objetivos.